Sofro da síndrome de Peter Pan.
Catching Elephant is a theme by Andy Taylor
Mais um post!
Quero agradecer ao pessoal que está lendo, comentando, perguntando, é muito legal ter esse feedback, me dá ainda mais vontade de postar! Espero que os posts estejam sendo informativos, principalmente pra quem pretende viajar, e que vocês estejam se divertindo ao ler, também, assim como eu me divirto quando escrevo. :D
Minha sugestão pra leitura é: não considerem apenas os títulos. São apenas títulos… Eu escrevo sempre mais coisas do que o título sugere. ;)
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Intolerância a comida asiática - dois acontecimentos peculiares
Como já comentei antes (umas mil vezes, huauhahuahuhuahuauhuaha), a primeira semana foi difícil pra mim, por vários motivos. E logo na minha primeira quinta-feira aqui, eu passei mal.
Se tinha uma coisa da qual eu tinha medo antes de viajar era de ficar doente, porque por nada nesse mundo eu queria usar o seguro. Eu li o tal do Guia de Bolso (que é enorme, huauhahuhuahuahuhuahua) e tinha tantas cláusulas que eu estava com medo de ter contratado um seguro que não ia segurar quase nada, hauahuhuahauhuahuahuahua (claro que estou exagerando, vocês já sabem ^_~).
Bom, o que aconteceu foi o seguinte:
Um belo dia eu fui passear no shopping que tem bem perto da escola, o Pacific Centre, pra ver qualéqueé a da praça de alimentação de lá. Logo de cara tinha um lugar que vendia COMIDA e não lanche, e eu gostei porque por mais que eu ame fast food não queria sobreviver disso durante um mês. Decidi que ia comer lá.
Esse lugar, afinal, vende comida asiática. Asiática porque ninguém sabe dizer se é japonesa, chinesa, coreana, parece ser nenhum dos três e um pouco de tudo ao mesmo tempo.
Eu comi brócolis e mais uns vegetais refogados, macarrão, carne (que parecia muito apetitosa) e tofu (que parecia queijo branco). Que mal isso ia me fazer?
Acontece que o brócolis não estava gostoso como o da Ana, o macarrão não era lá essas coisas, a carne não era apetitosa e o tofu não tem NADA a ver com queijo branco (que negócio RUIM!). Nem comi tudo.
Isso foi bem no dia do passeio pra Granville Island. No começo do passeio minha cabeça já estava doendo. No fim do passeio ela estava explodindo e eu estava enjoada. Quando estava no centro de Vancouver de novo, estava prestes a vomitar, poderia acontecer a qualquer momento, vômito brasileiro nas ruas de Vancouver!
Graças a Deus eu não paguei esse mico, mas eu tive que chamar um táxi, porque de forma nenhuma eu ia ser capaz de esperar o ônibus e aguentar aquele balanço até chegar em casa sem dar um banho de tofu em alguém. E subir a rua da minha casa então? Nem pensar, era capaz de eu vomitar e cair desmaiada logo depois (huauhahuahuuhahuauhhuahuauha, ok, eu estou exagerando, mas eu realmente passei MUITO mal).
O pior de tudo é que o taxista que me levou estava muito amigável e queria saber tudo do Brasil, queria conversar, e eu não conseguia nem raciocinar. Ficou me falando que no Brasil “the girls are good”, se é que vocês me entendem… Ainda me perguntou se era verdade. ¬¬ Amigo, EU SOU uma girl, você acha que eu vou falar “Sim, as mulheres são muito gostosas!”? A minha resposta foi “Bom, as pessoas dizem isso mesmo mas eu não sei, eu não fico reparando nas meninas, eu sou uma delas…” ¬¬ Oh céus.
Além disso, ele era mentiroso. Huauhuahuahuahuhuahuahuhuahua… Perguntei de onde ele era (só pra não perder o costume), ele me disse que nasceu no Canadá. A-HAN, com esse sotaque a la Everton-imitando-indiano. E eu sou francesa!
Eu só sei que dei graças a Deus quando vi a porta de casa. A Ana me viu e perguntou se eu estava bem, eu disse que não, expliquei pra ela, e só de lembrar da comida meu estômago já revirava, eu ficava instantaneamente mais enjoada. O pior é que antes de voltar pra casa eu precisei passar no shopping de novo, e perto desse restaurante… Eu tive que me segurar pra não vomitar ali mesmo, só de sentir o cheiro.
A Ana foi um amor. Na mesma hora me sugeriu um remédio pra enjoo, me ofereceu mil coisas e falou pra eu ir deitar um pouco, que em meia hora eu estaria bem.
Fui dormir às 19h30, chorando horrores e pedindo pra Deus não deixar eu ficar doente. Às 21h30 eu acordei e estava me sentindo novinha em folha! Muito sonolenta, mas sem enjoo nenhum!
Quando eu acordei, fui pra cozinha pra avisar a Ana que estava bem e agradecê-la, e também me desculpar por dar trabalho. Eis que Justin estava descendo as escadas.
Até então eu não tinha conhecido o Justin, filho da Ana e do Ivan. Tive que falar o “Nice to meet you” mais podre da minha vida, com cara de sono, toda descabelada e com a maquiagem borrada, huauhahuhuahuauahuuhahuahuuahhuahuahua… Que vergonha!
Ainda falei pra ele “Que péssimo momento pra gente se conhecer”, mas ele foi superbonzinho, a Ana explicou o que tinha acontecido, ele me desejou melhoras, enfim, foi supereducado. :)
No fim das contas eu fiquei ótima, graças a Deus e a Ana. :D
Só fiquei “meio assim” porque eu vim pra Vancouver realmente disposta a tentar coisas novas (menos sushi e outras coisas com peixe cru, mistureba de arroz, e animais exóticos, huahuhuahuahuahuahuhuahua). E na minha turma (do curso) tem um monte de japonesas e coreanas que vive indo comer em restaurantes que servem as comidas típicas de seus países. Eu estava até curiosa pra tentar o famoso churrasco coreano…
Mas conversando com a Ana, ela me disse que com certeza meu problema tinha sido meu almoço. Acho que principalmente o tofu, só de lembrar no dia seguinte eu AINDA ficava enjoada! O negócio fez um baita estrago nas minhas entranhas!
Enfim, ficou decidido que eu não ia mais me aventurar pela culinária asiática. Fast food nunca me fez tão bem! :D
Num outro belo dia (acho que na segunda semana de aula), porém, meu professor resolve fazer uma Potluck Party, que pra nós no Brasil é aquela festinha em que cada um leva um prato. A condição era: tragam um prato típico do seu país. E vocês lembram que há duas brasileiras na minha sala (das quais uma sou eu, que não sei cozinhar), e que as outras dez são asiáticas.
Pensei “Ótimo, vou morrer de fome”.
Um dia antes, decidimos o que cada uma iria levar. Eu até postei fotos do menu e das comidas no Facebook.
No dia D, as comidas estavam com uma cara muito boa (pelo menos a maioria delas) (espero que minhas colegas não traduzam esse post :x). E tinha coisas que eu queria experimentar.
Então lá fui eu. Eu peguei um minúsculo pedaço dessas poucas coisas que pareciam boas pra mim. Com a maioria delas eu me arrependi. Acho que só gostei de uma, mas tive que tirar o recheio (peixe), ou seja, comi só a massinha. Encurtando a história, não gostei de NADA!
A minha sorte é que a Denise (a outra brasileira) levou salpicão, que eu AMO. Isso foi meu almoço, junto com uns vários brownies, que foram a sobremesa levada pelo nosso professor (nem a torta de abóbora que ele levou eu consegui comer, também não era boa - e sim, eu experimentei! :p). A propósito, que brownies eram aqueles? Nooooooooooooossa, muito bons!!!!!!!!
Esse pouco de aventura pela culinária asiática nessa festa me rendeu uma dor de cabeça nesse dia também, acreditam? Pois é. Graças a Deus eu não passei mal pela segunda vez, mas eu achei que ia, porque começou do mesmo jeito - uma dor de cabeça que ficou forte. Só não tive enjoo nem vontade de vomitar.
Muito tempo depois, conversando com a Denise (nesse último fim de semana, pra ser mais exata), ela me disse que se eu tive dor de cabeça significa que a comida asiática ataca meu fígado. Achei isso interessante. “É como se eu tivesse me alcoolizado, então?”, ela disse que sim, que era o mesmo efeito.
Pois é isso. Quando como comida asiática, fico bêbada. E pior que nem fico alegre, só tenho os sintomas ruins!
Eu tentei, juro, mas não deu. Comida asiática, nunca mais…
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Finalmente terminando a primeira semana - compras!
Faltou eu terminar de falar sobre o que fiz na primeira semana.
Tirando o passeio pra Granville Island e os passeios do fim de semana, não fiz nada de emocionante em relação a conhecer a cidade (já tinha dado essa prévia em um dos primeiros posts). Estava chuvoso e eu tinha medo de sair por aí, acho que simplesmente pelo fato de eu não conhecer Vancouver.
Só que nenhum dia eu fui cedo pra casa. Todo dia eu saía da escola e ia GASTAR! Huuahuahuahuuhahuahuhuauhahuuha…
Na primeira semana aqui eu comprei as coisas que eu mais queria, e sem as quais eu não iria embora de Vancouver: meu iPod nano, meu notebook e - minha queridinha - a câmera dos meus sonhos! *_*
Não sei se interessa saber sobre essas coisas, mas o iPod nano é o cor de rosa, de 8 GB, preço tabelado. O computador é Sony Vaio (esse modelo aqui, pra ser mais específica). E a câmera é uma Canon semiprofissional, recomendada pelo Marcos Fujimoto (amigo do Marcus).
O iPod foi simples. Cheguei na loja e falei “Quero o iPod nano, 8 GB, rosa, você tem?”, “Tenho”, “Vou levar”. Paguei eu fui embora. Huauahuhuahuahuauhhuahuahuuhahua…
O notebook eu fui comprar logo no primeiro dia de aula! E adivinhem? Já tinha acabado fazia tempo! Eu queria exatamente esse modelo, ou algum muito parecido, mas os mais parecidos que a loja tinha não tinham reprodução blu-ray (coisa da qual eu fazia questão). E além de tudo tinha que ser rosa.
Eu fiz o vendedor, Tony, me falar a descrição completa dos poucos computadores cor-de-rosa que ele ainda tinha, mas no way… Tinha que ser aquele. Aí eu desisti da cor rosa, então ele foi buscar esse modelo (em qualquer cor) nas outras lojas. Viu que tinha alguns pretos e dois brancos numa loja próxima, eu falei “ÓTIMO, então é branco!” :D. Ele ligou lá e ficou uns 15 minutos na linha, só esperando (sem exagero dessa vez). Finalmente ele conseguiu encomendar o notebook pra mim e eu fui buscar alguns dias depois, 100 dólares mais barato (por causa da Boxing Week).
Preciso fazer um adendo agora. Esse Tony foi uma das pessoas mais educadas que eu conheci aqui! Quando fiz a famosa pergunta, “Where are you from?”, me surpreendi. Ele é vietnamita! O inglês dele é ótimo, eu mesma pensei que ele era canadense. Gente, ele teve uma baita paciência comigo, vocês não têm noção. Até me mandou um e-mail quando meu notebook chegou (ele ia ligar, mas eu pedi pra mandar e-mail, já que quase nunca tem alguém pra atender o telefone aqui). Chorei desconto no case do notebook, ele deu (porque no notebook não tinha como dar mais desconto). No fim da história, até falei pro gerente que ele merecia um aumento, ele ficou todo contente, huauhahuhuahuahuhuahuauhahuuhauha… Espero que ele tenha ganhado o aumento, pelo menos. :D
Agora, a câmera. Fui atrás dela mais pro fim da semana, e claro que ela também tinha acabado. Enchi o saco do vendedor de novo, Mark Stafford, ele viu no computador que tinha algumas pra chegar em poucos dias. Falou pra eu voltar na segunda-feira, eu implorei pra ele não vender pra mais ninguém, e na segunda-feira lá estava eu. :D Tinha só uma!!!!!!!!!!!!!!
Tive que esperar um tempão porque ele estava em horário de janta, e segundo os outros vendedores, ninguém podia me ajudar, porque essa venda já era dele. Enquanto isso, fiquei conversando com dois outros vendedores - um canadense e um de um país que não lembro qual é, mas é lá pro lados das Arábias (hauuauhauhahuuhauhahuuha, depois reclamo quando acham que no Brasil se fala espanhol).
Esse canadense era superlegal. Educado, perguntei várias coisas sobre a câmera pra ele, e mesmo a venda não sendo dele, ele me respondeu tudo, me indicou a bolsa pra câmera, o melhor cartão de memória. Ainda dei uma minigafe com ele. Eu chutei que o outro vendedor era brasileiro (pelo rosto parecia), mas pra esse eu falei “You are American, I am sure”… Mas eu não quis dizer americano dos Estados Unidos, eu quis dizer americano do continente americano! Putz, ele ficou mó bravo… Como se eu tivesse chamado ele de corinthiano ou algo do tipo, hauhuahuauhhuahuahuhuauha. Ele levou na brincadeira, mas fez questão de demonstrar que não tinha gostado. Aí eu tive que corrigir “I mean, North American” e expliquei pra ele o que eu tinha TENTADO falar. Ele só riu e me desculpou.
Já o outro vendedor…
O outro, assim que soube que eu sou brasileira, já veio com o mesmo papo infeliz de “As brasileiras são BOAS”… Carambaaaaaaaaa… Primeiro que é uma falta de respeito, porque eu estava bem na frente dele! Ou eu ia me sentir constrangida por ele falar na minha cara que eu sou “boa” ou por ele insinuar que apesar de ser brasileira, eu não sou boa (porque uma das duas opções tem que ser a certa, concordam?). E aí, o que é pior? ¬¬
Bom, esse daí eu cortei logo de cara, a essa altura do campeonato eu já estava cansada de ouvir todo mundo falando a mesma coisa do Brasil. Samba, praia, carnaval (que pra eles é igual a putaria - o que não deixa de ser verdade) e “mulheres boas”.
Sempre que ele vinha com esse papinho eu virava pro outro vendedor e perguntava algo sobre a câmera. Mesmo assim o infeliz conseguiu me encher e até falou que o sonho dele era ter uma namorada brasileira. Ele inclusive ficou me perguntando se eu gostava de algumas coisas tipicamente brasileiras. Se eu gostava de Carnaval (falei que detesto), de futebol (falei que pra mim, não fede, nem cheira), de ir à praia (disse que prefiro a cidade, hauauuhauhauhahuhuahuahuhuahuahua). Deu pra ver a expressão de decepção dele. Ele chegou a me dizer que pediu pra sair com uma brasileira que foi comprar uma câmera lá outro dia - como esse cara ainda está empregado? Quando me despedi, eu disse “Good luck with the Brazilian girls”…
Bom, voltando à câmera… Hehehehe…
Saí de lá com a câmera 50 dólares mais barata, a bolsa, o cartão SD, 1 ano de garantia internacional e ainda consegui um desconto de 100 dólares em cima de tudo isso, porque a Pati (Patrícia Mozelli) me disse que se eu chorasse na Future Shop, conseguiria desconto. DEU CERTO, PATI! :D
A câmera é provavelmente a melhor coisa que comprei nessa viagem. No Brasil o preço dela é, quando está barata, R$1200. Eu paguei pouco mais de R$800 comprando aqui. E ela é um amor, hauauhahuuhahuauhhuauhahua, falo pra todo mundo que é a minha melhor amiga dessa viagem, porque ela já passou de tudo comigo!
Até em cima do hidrante a coitada foi parar, e o formato dela não é lá dos mais fáceis de encaixar em qualquer lugar. Teve vezes que eu equilibrei a câmera em lugares inimagináveis, pontiagudos, perto de água, de rio, em cima de árvore, em cima de pedras, em troncos na praia (tudo isso pra ter fotos MINHAS usando o timer, já que 90% dos passeios eu faço sozinha), e do jeitinho que eu deixo, ela fica. Ela é muito obediente! Huahuhuauhahuauhahuhuauhahuhuahua…
Sem contar a qualidade. O Marcos (Fujimoto) me ajudou muito, me mandou muitas informações, dicas e links, e antes de viajar eu pesquisei muito sobre fotografia e sobre essas câmeras. Eu ainda não estou usando-a no modo manual, porque eu quero rever tudo o que eu já tinha aprendido antes de comprá-la e agora eu não tenho tempo pra isso. Então todas as fotos que vocês veem no Facebook são tiradas no modo automático. Mas assim que eu voltar ao Brasil, ninguém me segura quando eu estiver com a minha câmera! My baby! (Meu violino vai ficar com ciúmes, hauauhhuahuauhhuauhahuhuahua…)
De resto, comprei tranqueirinhas… Maquiagem, comida, coisinhas assim.
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Ufa, mais um post gigantesco terminado… Aos poucos eu tô tirando o atraso. :D Acho que estou lembrando de tudo.
Por favor, comentem e perguntem! :D
Beijos! <3